2025
25 anos de medicina
Ah, 25 anos! Sempre ouço “como passou rápido” e às vezes até penso nisso. Mas não, não passou rápido, porque 25 anos não são 25 dias, nem 25 meses. São 9.125 amanheceres em que a medicina visitou, habitou e moldou a vida da médica que eu me tornei.
Não existe só um dia em que um pensamento de saúde, ciência, vida ou paciência não atravesse a mente de quem leva a medicina no coração. No supermercado, na farmácia e até na praia, alguém vai nadando para o fundo e você pensa: “Caramba, se se afogar vou ter que atender”. Bitolados? Não. Somos apenas humanos, profundamente humanos, conscientes da finitude, da beleza e da dor que fazem parte da nossa existência terrena.
Carregamos a responsabilidade de cuidar da doença e do sofrimento, mas também o privilégio de testemunhar o nascer, a alegria, a recuperação e, às vezes, a despedida digna, que é inexorável a todos. Vi muita coisa, fiz muita coisa e espero sinceramente ter ajudado muitas pessoas ao longo do caminho.
A medicina real, aquela que não aparece nas telas, não tem glamour. Tem trabalho, tem noites em claro, tem preocupação, estudo, incansado, decisões difíceis, mas também tem a paz do dever cumprido, o alívio do paciente bem assistido, o olhar de gratidão, o resultado esperado. E para mim valem infinitamente mais do que qualquer saldo na conta, likes ou seguidores. Meus seguidores são as famílias de meus pacientes.
Sim, e os médicos precisam ganhar dinheiro como qualquer profissional que trabalha, dedica a vida e sustenta sua família e sua casa, mas esse nunca foi e nunca será o meu objetivo maior. Não deve ser o único propósito de nenhum médico. Sou feliz por exercer uma medicina em que o paciente, a ética e o valor humano são o centro de tudo.
Sou muito agradecida a Deus por ter me ajudado a escolher uma profissão digna, em que me sinto útil, e agradeço aos meus pais, Daniel Rodrigues e Altair Ribeiro Coutinho, pela oportunidade.
E, num tempo em que tantos se preocupam em aparecer, acumular e harmonizar a superfície, eu escolho ser. Ser humana, ser uma boa pessoa e ser todos os dias uma boa médica, ou pelo menos eu tento.











